10/09/2010

Kleinruppin Forever (2004)

Und was hast du in den 80ern gemacht?


Género: Comédia
Realizador: Carsten Fiebeler
Guião: Peer Klehmet e Sebastian Wehlings
Actores: Tobias Schenke (Tim, Ronny), Anna Brügemann (Jana), Michael Gwisdek (Erwin), Tino Mewes (René) e Uwe Kockisch (Vater)
Original: em alemão

DVD no amazon


 O filme começa em 1967 na RDA onde um casal acaba de ter um acidente deixando para trás num banco à beira da estrada dois irmãos gémeos. Avançamos no tempo e vamos para 1985 em Bremen: Tim acaba de ganhar um campeonato de ténis e uma bolsa para uma academia de ténis em Florida. Tim é um jovem rapaz com ar de pop-star, cabelinho de lado, cheio de manias e betinho dos pés à cabeça no seu ar de "não me toques" popular, cheio de meninas bonitas atrás dele e atenção, veste lacoste. O primeiro conflito é com o pai, o qual possui uma firma de venda de imóveis e quer que o filho se forme para se integrar na sua firma, mas Tim quer ser um jogador de ténis profissional. Durante um jantar de família logo nas primeiras cenas descobre-se que Tim é filho adoptivo e que os pais fugiram no passado da Alemanha de leste para Bremen. No entanto, isso não assusta Tim, ele tem uma visita de estudo com a turma dele à RDA, na cidade (fictícia) de Kleinruppin e está ansioso por conhecer a outra face da Alemanha. Leva mesmo vestido uma t-shirt com as iniciais: "DDR 1985 Safari". Começa então a pequena viagem à "zona". A professora recolhe os passaportes quando já se avistam as torres de vigia na fronteira e assim que lá chegam os guardas fiscais revistam o autocarro com um cão polícia. É proibido filmar, fotografar e os guardas sabem, depois de terem controlado o passaporte de Tim, que este é um fugitivo. A RDA apresenta-se como um lugar cinzento, deserto, com banda filarmónica de boas vindas, filas para o supermercado, as mulheres tidas por fáceis, punks maus ao virar da esquina, casas abandonadas. E enquanto Tim passeia pela cidade esbarra-se com uma jovem enfermeira socialista na paragem de um autocarro onde os dois trocam um olhar que indica paixão à primeira vista. Ela não vai no entanto na conversa dele e para além do mais goza com as roupas dele, como se já o conhecesse e ao despedir-se chama-o de Ronny. Tim está ainda perplexo com a afirmação dela, quando do outro lado da estrada passa por ele vestido de hippy e numa bicicleta um rapaz que é exactamente igual a ele. A imagem é um pouco irreal, como se tudo não passasse de uma miragem, fruto da sua imaginação, como se naquele instante ele tivesse pensado: "como é que eu seria se vivesse aqui?". Ambos olham-se com a mesma perplexidade, até que Ronny cai e Tim vai ter com ele. Descobrem que são gémeos, mas enquanto um foi com os pais ricos para oeste, o outro ficou numa casa de órfãos em Kleinruppin até ter sido por fim adoptado por Erwin. Depois de terem contado um ao outro um pouco sobre as suas vidas, Ronny sugere ao Tim trocar de identidade com ele por alguns dias, mas como Tim não aceita, este toma medidas mais violentas, põe-no inconsciente partindo-lhe uma garrafa na cabeça e enfia-se no autocarro no lugar dele, enquanto o pobre Tim vai parar à uma clínica local. 
O filme joga com uma série de clichés sobre o que pensam os alemães de oeste em relação aos alemães de leste e apresenta-os de forma bastante cómica. Começa com a recepção parva do presidente da câmara de Kleinruppin, cidade com aspecto abandonado, e no entanto o exagero de trazer consigo uma banda filarmónica sem qualidade nenhuma para receber um grupo de estudantes, como se não houvesse nada de mais importante para fazer. As casas decadentes, muitas delas abandonadas, todas iguais, sem varandas. Os modos autoritários e birrentos de Tim na RDA controlada pelo Stasi. Ou seja, a própria figura do Tim contrasta com todo o ambiente à volta dele. O querer telefonar para o outro lado e não conseguir uma ligação directa, ripostar a tudo e todos e até quando está no meio de um interrogatório feito pela Stasi, não se deixa acobardar, levanta-se e deixa-os a ameaçar as paredes. Todos os estrangeirismos na boca de Tim, como Fraggles, Fanta, Becks e Táxi e os seus modos snobistas. E depois outra vez a RDA pobre, onde ele tem de trabalhar numa fábrica e comer a comida pastosa da cantina. A forma como as pessoas se embebedam com cachaça e chamam a isso diversão. A música - Oktoberclub (Sag mir wo du stehst), as roupas antiquadas, os hippys que fazem nudismo e cantam à luz das estrelas. O "pai" dele, Erwin, homem barbudo e com voz de bêbedo, vive numa caravana e é tido por maluco, mas no fundo não é tolo nenhum. Consegue mesmo subornar os membros da Stasi com bananas. Foi também interessante saber que os betinhos da RDA eram os que estudavam em Leipzig.
CD no amazon
Sem dúvida a cena da banana como o fruto proibido, a banana-pepino dos comunistas alemães de leste, que é no filme produto adquirido por meio de contrabando, foi muito bem conseguida. Não me pareceu que o filme quisesse mostrar que um dos lados da Alemanha era melhor que o outro, isso verifica-se quando o Tim diz "eu venho da Alemanha", ou seja, não há divisão e também pela forma como o filme termina. 
Conclusão: na RDA encontra-se o verdadeiro amor e é um lugar onde se pode criar, na RFA encontra-se o caminho para uma carreira com sucesso dentro dos parâmetros ocidentais e é um lugar onde se pode consumir.
Aqui deixo alguns links (em alemão) sobre o filme: wikipedia, derfilm.de, imdb.de

Sem comentários:

Enviar um comentário